Somos pessoas do bem,
Bem ocupadas consigo mesmas.
Somos pessoas do bem,
Bem cansadas para praticar o que é bom.
Não matamos, não roubamos,
Nem ao menos traficamos.
Talvez uma mentirinha aqui,
Talvez outra acolá.
E tudo mostra o preço que temos,
O preço a pagar.
Somos boas pessoas
Somos seres amáveis,
Mas que não pisem em nossos calos!
Que não abusem de nossa paciência,
Ou haverá uma enorme transformação química,
Capaz de desafiar até mesmo a avançada ciência.
Mãe que mata filho.
Assassinos de sua própria adolescência.
Pais que prostituem crianças,
Professores que perderam o interesse por nossa infância.
Por quê?
Porque tudo está perdido.
Somos tão bons e o mundo é inimigo.
Por que o mundo grita conosco?
Onde deixamos nossos umbigos?
Parecem pensamentos confusos.
Parece predisposição a rima.
Mas é que me acordei sendo um ser tão bom.
Que ao invés de aqui em baixo,
Deveria estar lá em cima.
Deveria ser anjo por minha bondade,
E proteger as pessoas com meu descaso.
Deveria ser senhor do destino,
E entregar tudo ao acaso.
Deveria quem sabe ser Deus?
E então seria mais justo,
Para tudo que me conviesse.
Pois sou capaz de anular-me da guerra,
De fazer vista grossa a calamidade.
E mesmo assim de joelhos fazer preces,
E ser membro de uma irmandade.
Então que valor tenho eu?
Que valor temos nós?
Somos realmente tão bons?
Creio que o suficiente para enganarmo-nos.
O bastante para dormirmos tranquilamente todas as noites.
E que a sujeira em nossos corações continue sob os nossos tapetes.
Aquele que carregamos por anos,
Desde a primeira desobediência a nossa mãe.
Desde o último ato de “justa” vingança.
Queria eu ser bom,
Ser inocente como criança.
Por que julgo ter mais valor pelo que não faço
Quando ao invés disso, deveria ter valor pelo que pratico?
O valor está sobre meus atos,
Não sobre o que me omito.
Diego Rodrigo Fonseca Rocha
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